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Presb. Osmar de Lima Carneiro

Presb. Osmar de Lima Carneiro:
Bem-aventurados os que choram...

Duros são os tempos. As guerras invadem os campos, os povos se rebelam e se afogam num mar de sangue. Guerras entre as nações, lutas entre famílias, conflitos de idéias e de interesses, não cessam os prantos. Os fortes esmagam os fracos. Os senhores são duros para com os servos. Os vencedores implacáveis com os vencidos.

Os vencidos alimentam-se de lágrimas misturadas com o ódio. Por toda a terra há viúvas mendigando e órfãos sem arrimo. Nos subterrâneos das fortalezas, gemem prisioneiros injustiçados.

Imenso é o pranto: corpos e corações sangram pela vastidão da Terra...

O perfil do Mestre, se destacando no peito da Montanha, deixa milhares de olhos deslumbrados, ao ouvi-lo:
- Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados!
Os que choram! São aqueles mesmos que acorreram dos mais longínquos recantos, a ouvir a palavra da esperança? No imenso mundo, de todos os confins e por toda a parte onde se erguem cidades, aldeias, casas, gemem na condição humana?

Mas, então, porque Jesus, profeta, sacerdote, conselheiro e tão sensível, não acaba com o pranto?

Tudo passa. As guerras, os Césares, os Profetas; cidades ruirão, tronos serão rolados e só as lágrimas hão-de permanecer?

No dia em que não houver mais pranto, nós teremos renunciado direitos imortais; ter-nos-emos submetido a tudo o que a vida oferece de precário e destrutível. Há algum homem que se satisfaça com o que tem? Os que nada possuem, tudo desejam; os que possuem, querem mais; e os que momentaneamente, parecem contentes, agarram a sua felicidade, apertam-na ao peito, quais criancinhas, com medo de perdê-la.

Bem-aventurados o que choram...

Chorar é uma fraqueza e uma força. Fraqueza, porque exprime a confissão de um fracasso, de uma desilusão, de uma derrota. Força, quando traduz uma revolta contra a tirania do Efêmero e uma audaciosa procura do Eterno.

Todo pranto é um comentário. Um comentário que amargamente condena os motivos de dor criados pela insensatez dos homens e pela infidelidade das coisas passageiras.

O pranto é um julgamento. Onde há alguém chorando, outro alguém está sendo julgado. Às vezes, somos nós mesmos, os pranteadores, que estamos sendo julgados.

Chorar é bater à porta de Deus. O soluço deve ser como as pancadas de um peregrino, que longamente caminha, e sofre fome, e sede, e humilhação, pelas estradas, e chega exausto à casa de seu Pai.

Em muitos instantes da vida, sorrimos felizes, por outro lado, quantos dos nossos circunstantes estão chorando.

Chorar é um estranho idioma que só os que choram entendem, ninguém mais...nem as montanhas, nem o mar, nem o vento, nem as estrelas!

A menos que recorramos ao grandioso Mestre, o senhor Jesus, este sim, chorou e entende quando falamos pela lágrima; nos entende, nos conhece, nos ama!

O homem está vivendo isolado, solitário, sem Deus. Este isolamento desperta o fantasma do medo. E logo a confiança se quebra, a justiça se corrompe, a misericórdia desaparece, e multiplica-se a procela dos desiludidos e dos desesperados. E na terra, onde já campeia a morte e a dor física, cresce a angústia criada pelo próprio homem. Então, não resta senão chorar.

Mas se o homem não quer viver numa vigília de lágrimas, só lhe resta um caminho: regressar. Regressar a ponto de partida: - Deus.

Quando ninguém nos compreende, Deus nos compreende e enxuga a nossa lágrima.

Tudo o que falamos foi inspirado no perfil do Mestre, no flanco do monte, falando ao povo que o ouvia em silêncio de admirável beleza; mas a tarde declinava e o homem de Nazaré continuava exclamando:

- Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!

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