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Presb. Osmar de Lima Carneiro

Presb. Osmar de Lima Carneiro:
Bem-aventurados os pobres de espírito...

Há quem defenda a idéia de Cristo ter dito: “Oh! Que felicidade é...”, mas o familiar “Bem-aventurado” é bem adequado.

- Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus!

São palavras do Mestre, no monte, mas a quem se destina, aos ingênuos e tolos?

Mas isso seria considerar o que há de contingente na criatura humana, abandonando o que no homem existe de essencial.

Mas, por que pobres de espírito?

Sabendo o que seja a riqueza do espírito, no sentido a que se refere o Mestre, certamente teremos noção da pobreza de espírito.

Ser rico de espírito é ter orgulho do título que se tem, do livro que se leu ou escreveu; do cargo que se exerce; do prestígio que se goza; da casa em que se mora; da roupa que se veste; do dinheiro que se tem; dos primores da inteligência ou da beleza física. É amar uma dessas coisas, ou algumas, ou todas; prender-se e subordinar-se ao seu império.

Todo o rico de espírito é um farto, que se levanta saciado de seus banquetes, mas sempre ávido da exuberância de uma mesa à opulência da outra. Um insaciável, um medíocre, um balofo de coração. Tudo o que lhe parece inovação, renovação, transformação, lhe repugna, já que é inimigo do novo; sente horror pela mudança já que é adepto do antigo; é amigo do menor esforço.

Tudo o que vem com cara de “novidade” lhe desperta desconfiança. O cientista, que derruba teorias consagradas; o inventor, que contraria leis registradas nos tratados; o pensador, que semeia novas idéias; o poeta, que canta novas imagens; o santo, que se insurge contra o pecado recalcitrante; - a todos esses, o rico de espírito , aborrece, porque se lhe afiguram destruidores de sua personalidade, que custou tanto a plasmar e a mantê-la de pé.

O rico de espírito adota idéias; lê sempre o mesmo jornal; cita, de preferência, meia dúzia de autores prediletos. A tudo o que estiver fora desta órbita, o rico de espírito dedica sutil sorriso de descaso.

Os que não lerem pela sua cartilha são pretensiosos e tolos. Nada de opiniões, nada de precipitações ou atitudes imprudentes.

Ser rico de espírito é dizer: “cheguei”; ser pobre de espírito é dizer: “ainda estou caminhando”.

O rico de espírito tem o seu coração onde guardou o seu tesouro; o pobre de espírito age de forma diferente, põe o seu coração onde a sua vontade ágil o determina e, como não se acha preso a nenhum compromisso com os homens, pode ouvir a voz divina e seguí-la.

O rico de espírito é parado; se consegue fazer um movimento, esse é lerdo como o dos caramujos que conduzem a casa às costas. O pobre de espírito , a sua alma tem por morada a amplidão, onde não há paredes de conveniências materiais, portas fechadas de vaidades ou biombos de respeitos humanos.

Por isso o rico de espírito é medroso, enquanto o pobre de espírito é audaz; aquele é escravo, este é livre, porquanto conhece a liberdade.

Aquele despreza o humilde, que recebe a verdade em primeira mão, intacta e virginal, sem os remendos e consertos nas oficinas dos sofistas.

A condição fundamental para receber a verdade é ser livre, como as crianças e os simples. Quem não for nem uma coisa nem outra, terá de nascer de novo. O Reino dos Céus é uma República de cidadãos livres. Ninguém irá para ele contra a vontade. O menor apego às coisas terrenas corresponde a um cativeiro. Cristo não quer governar escravos.

A imagem mais bela do cidadão do seu reino, Ele nos oferece nos lírios, nos pássaros e nas crianças, exemplando a dependência, a despreocupação e a inocência.

A pobreza de espírito é uma condição de liberdade, porque dentro dos sentimentos de Jesus: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, e mais: “Se o Filho vos libertar, sereis livres!”

Não somos nada, mas confiemos num Cristo que é Tudo e pode nos dar dessa sua plenitude.
Oh! Que felicidade é... Ele é um Deus munificente!

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