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Presb. Osmar de Lima Carneiro

Presb. Osmar de Lima Carneiro:
Bem-aventurados os misericordiosos

O grande mal que assola o globo terráqueo é a ausência de Cristo no coração do homem.

E, entretanto, no meio da tempestade universal de rancor e violência, não se pode negar um fato consolador: a existência do Reino de Deus.

É a “comunhão dos santos”. A identidade de aspiração de milhares de almas que confluíram em Cristo. Um bom grupo pregando o Evangelho, anunciando uma palavra de paz, proclamando o perdão em Cristo.

A solidariedade dos sentimentos volvidos para um ideal em busca da salvação de milhares de perdidos. Em suma: o espírito da misericórdia, buscando abrandar as asperezas e brutalidades do Mundo...

Jesus falava aos seus discípulos, proferindo o Sermão mais importante do seu ministério, na Montanha, profetizando: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.

Essa conquista realizar-se-á pelo espírito da misericórdia.

É um ato de inteligência do coração que tem Deus. O sinal que nos distingue dos animais.

Todo o progresso do ser humano, desde o decaído bruto das cavernas até Jesus, desde Caim a Lutero e Billy Grahan, exprime-se por uma linha ascendente de misericórdia.

Através da longa caminhada dos séculos, é vergonhoso para a Humanidade pensar quão pequeno tem sido esse progresso. Ainda hoje se cometem as mais terríveis crueldades.

A estatística do crime acusa anualmente, em todas as cidades – antes privilégio das grandes metrópoles, milhares de assassínios, assaltos, espancamentos, seqüestros, suicídios. Matam por motivos políticos em todos os países; matam para roubar nas cidades e nos campos, onde as quadrilhas operam à luz do dia; matam nas desabaladas carreiras de automóveis; matam em atentados públicos e em tocaias; e sem contabilizar milhares de vítimas nas revoluções – que disseminam a doutrina do ódio.

As fábricas de armas recebem incentivos governamentais e aprimoram a técnica e aumentam a sua capacidade produtiva. Os governos estimulam a discórdia e deitam fogo ao estopim das guerras. E, enquanto tudo isso nos amedronta e envergonha, a nós, os graves embaixadores – que são treinados para a diplomacia, prelecionam surradas teses de uma paz sem Deus. Antes de defender o homem, procura enfraquece-lo.

Longe vão os tempos – e orgulhamo-nos de só pensar – em que populares se reuniam num circo para assistir, aplaudindo, ao excídio dos gladiadores e à morte dos inocentes sob as garras dos leões; mas, se já não fazemos o mesmo que Nero, conformamo-nos com toda a sorte de violência.

Nunca existiu sobre a Terra maior número de leis, códigos, decretos, regulamentos, tratados: e tudo, em última análise, não passa da teoria. Nós, ledores da Bíblia, sabemos que na misericórdia e no perdão o receber está ligado ao dar. Não que alguém mereça misericórdia pelo de ter sido misericordioso, pois então isso seria recompensa baseada em méritos. Não que alguém receba perdão por perdoar, pois novamente isso seria recompensa por mérito. Também não é que Jesus estabeleceu requisitos arbitrários para se receber misericórdia ou perdão. Pelo contrário, na natureza da misericórdia e do perdão não pode haver recepção sem doação. A condição pessoal das pessoas não misericordiosas ou não perdoadoras é tal que elas são incapazes de receber. A condição que as torna sem misericórdia ou não perdoadoras, também as torna incapazes de receber misericórdia e perdão.

Mas, imitemos a Jesus, o Mestre dos mestres, abominemos o pecado, condenemos o pecado, a violência, a maldade humana, entretanto, amemos o homem pecador e procuremos levá-lo ao encontro do Filho de Deus, o mais misericordioso de todos os homens.

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