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Presb. Osmar de Lima Carneiro

Presb. Osmar de Lima Carneiro:
Bem-aventurados os limpos...

- Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus!

Incomparável promessa, ela é verdadeiramente consoladora.

Poderemos avaliar, sequer, o que significa “ver a Deus?”

Rei dos reis, Senhor dos senhores, Pontífice dos pontífices; Criador do mundo e das forças que o seguram; de harmonias e das coisas que o embelezam; Princípio de todas as coisas e Fim a que todas as coisas se dirigem; Fonte dos corpos celestes, Artífice das constelações, Construtor dos átomos onde mora o segredo da energia; Vida de toda a vida, Senhor de tudo; ministério de grandeza, de amplitude, de profundidade, de onipresença, de onisciência e de onipotência; Origem de todo o Bem, Causa de todos os efeitos, Verdade de todas as verdades; Nascedouro dos rios das idéias e Oceano do pensamento; Inspirador dos ritmos, do som, da forma e da cor; Presença invisível, face de luz, da maravilhosa luz; Esquadrinhador do nosso coração torturado; Deus infinito, Deus bom, Deus perfeito; mão que sentimos erguer-nos no abandono; Liberdade que nos faz livres; Inspiração que nos faz criadores; Força que nos alenta; nosso Pai, meu Pai!

Esse Deus maravilhoso, amoroso, misericordioso, bondoso é Aquele que será visto pelos “limpos de coração”.

Um coração carregado, com um fardo muito pesado, não permite à inteligência ver a Verdade.

Os vários grupos existentes no judaísmo, uma aguda distinção era feita entre o que era ritualmente puro e o que era impuro. Jesus apagou essa distinção, no interesse da verdadeira pureza, a de coração. O termo coração dava a entender todo o ser interior, a mente tanto quanto os sentimentos. Ser limpo de coração é ser simples ou íntegro, em contraste com a duplicidade. É a concentração de todo o seu “eu” em Deus. Essa beatitude aparentemente se baseia na mensagem de Davi: “Quem subirá ao Monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma a vaidade, nem jura enganosamente” – Sl. 24:3-4, e também nos leva a pensar no que Davi suplicou: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto”- Sl 51:10. Embora a ênfase aqui seja na pureza íntima ou integridade, contrastando-se com a limpeza externa, o que não diferencia da vida exterior de palavras e atos. A pureza de coração e integridade andam juntos, sendo que a vida exterior reflete a pureza interior.

É do alto da montanha que, Cristo tem uma visão panorâmica e total da vida do homem, e fala: “Bem-aventurados, os limpos de coração porque verão a Deus”. Mas é provável que o pensamento do homem fique arrastando-se pelos vales, porque preso a grilhetas.

Todavia, aquele que pretende ver o Infinito através do prisma dos seus interesses pessoais e das suas paixões, certamente não terá um coração limpo, e nessa condição não poderá contemplar a face de Deus.

É através do coração que o Espírito consegue ver; se limpo não for o coração, como será possível enxergar com limpidez? A visão cristalina depende da pureza do coração. E se os nossos cuidados se distraem nas coisas da Terra, como lobrigaremos as coisas do Céu? E se não pudermos ver as coisas do Céu, que são o Amor de Deus, o perdão do seu Filho Jesus Cristo, a inocência, a humildade, a resignação, a obediência, a renúncia, o desejo de servir, como poderemos ver Aquele que a tudo isso transcende por ser, em tudo , o Absoluto?

Quanto ao mais, irmãos em tudo o que é puro, nisto pensai...!

Bem-aventurados os limpos e os pacificadores
Bem-aventurados os que têm fome e sede
Continua ensinando, cercado de pecadores
Sim, os que choram e os que confiam n'Ele!

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