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Presb. Osmar de Lima Carneiro

Presb. Osmar de Lima Carneiro:
A rede não se rompeu...

Os onze partiram para a Galiléia. Ei-los novamente, às margens do lago de Genezaré. As ribanceiras resplandecem, e o sol brilha no céu azul e cintila nas águas; avistam velas brancas ao longe e nesse ambiente entregam-se à pesca.

Numa enseada, onde o lago se tranqüiliza docemente, Pedro, Tomé, Natanael, João e Tiago, tripulando um dos barcos de Zebedeu, aproximam-se da terra. A noite fora infrutífera; não trazem peixe.

Na praia está um homem. E, antes que o barco se avizinhe muito, o homem grita-lhes:
Tendes alguma coisa de comer?

Eles respondem:

Não!

O homem lhes disse:

Lancem a rede para a banda direita do barco e encontrarão.

Eles obedecem; e a quantidade de peixe é tão grande que não a podem tirar.

João, com a respiração acelerada e o coração aos pulos, identifica o homem e segreda a Pedro:

É o Senhor!

Pedro não espera mais nada. Achando-se com o torso nu, veste a túnica, precipita-se nágua e corre para a praia.

Os outros se aproximam empurrando o barco apinhado de peixes.

Pedro é todo júbilo. Mas tanto ele, como os companheiros, sentem que agora é tudo muito diverso do tempo que andavam com o Mestre a navegar pelas águas do lago e a andar pelas estradas das montanhas.

Jesus pede-lhes peixes. Pedro age logo, puxa a rede e conta 153 grandes peixes. Com espanto, eles vêem junto do Mestre um monte de brasas e um peixe assado e pão. Eles jantam. E nesse momento de comunhão, sentem amor e temor; confiança e respeito, um respeito diferente, de uma natureza que não sabem explicar. Acabaram-se as pequenas liberdades que a si próprios permitiam, de dirigir perguntas ao Mestre. A alegria que experimentam é misturada de um vago arrepio; o arrepio do homem diante do sobrenatural.

Nenhum deles tem coragem para indagar: “Quem és?”

E, entretanto, é Jesus. Ele passou pela morte, mas vive! Tudo isso dá, sobretudo a Pedro, e aos dois filhos de Zebedeu, uma impressão profunda do caráter divino do Mestre, pois os três viram, muito antes da morte de Jesus, a sua transfiguração no monte. Ali perceberam algo indefinível, que agora relembram a cada encontro com Jesus.

Mas vamos refletir um pouco sobre esta pescaria:
a) Por que voltaram a pescar? Por desânimo ou desistiam da divina vocação para apegar-se, de volta, à antiga ocupação? Já li de uma caneta cristã que a pescaria teria sido o símbolo da missão de pescadores de homens. É tanto que no labor, enquanto sós, nada apanharam; quando obedeceram a voz do Cristo, encheram a rede...
b) O número de peixes representava uma pescaria completa. Alguns zoólogos gregos sustentavam que havia naqueles mares 153 espécies de peixes, pelo que esta pesca cumpria o desiderato de Ezequiel 47:10: “Os pescadores estarão junto dele; desde En-Gedi até En-Eglaim, haverá lugar para estender as redes; o seu peixe será, segundo a sua espécie, como o peixe do Mar Grande, em multidão excessiva.”
c) O fato de serem tantos e a rede não se romper sinaliza que a unidade da igreja, não seria rasgada com a inclusão dos gentios. Esta cena nos lembra a túnica sem costura (Jo 19:23) do Mestre.  Quando a rede é lançada sob a ordem divina comporta toda a espécie humana: branco, preto, feio, bonito, rico pobre, sábio, ignorante, etc.
d) Quando pescamos, levamos o peixe da vida para a morte, mas enquanto pescamos homens o levamos da morte para a vida (Mc 1:17).

O divino Mestre continua aquela fala, como nosso interlocutor: “E Eu farei que vos torneis pescadores de homens” – lancemos a rede, não hesitemos, ela não vai se romper!

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