Artigos

Pr. Anderson José de Andrade Firmino

Pr. Anderson José de Andrade Firmino:
Amnésia Missionária

             É impressionante quanto Deus tem cuidado da memória do seu povo ao longo da história da redenção. Ele não se esquece que somos esquecidos.  Por isso levanta memoriais para que seu povo se lembrasse do seu Ser, promessas e atributos. Institui a páscoa e diz: Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo (Ex 12.14). As crianças ao perguntarem aos seus pais sobre o cardápio pouco apetitivo ouviam: esta era nossa vida no Egito, amarga e dolorosa, mas o Deus soberano, supremo e gracioso nos livrou com mão forte. Até um adereço estilístico Deus recomendou nas roupas para que o povo se lembrasse de sua Lei (Nm 15.37-38). O que dizer de memoriais como a guarda do maná (Ex 16.32), pedras da estola sacerdotal (Ex 28.12), os incensários (Nm 16.40), as pedras tomadas por Josué depois do milagre da abertura do rio Jordão e a ceia do Senhor. O fato é, sofremos de alguns sintomas de “amnésia teológica”. Por isso a Bíblia é tão repleta de recomendações e exortações quanto as nossas memórias.

             Este sintoma infectou a nossa prática missionária. Todas as vezes que negamos falar do evangelho para aqueles que nos cercam, nos esquecemos de Cristo e de sua mensagem. Cristo é o nosso paradigma missionário. Uma vida focada no Reino de Deus e não no reino dos homens, na missão e não em seu conforto e que nos diz “aprendei de mim”. Não podemos nos esquecer de sua mensagem: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”; E disse-lhes: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Precisamos lembrar que somos peregrinos no mundo e que somos o único órgão competente nesta tarefa. Deus nos confiou esta missão intransferível e que não é privilegio de um grupo seleto da igreja, mas de toda ela. Esta é a nossa missão. Não podemos nos esquecer do sangue dos martírios que preferiram assinar suas certidões de óbito a se calarem diante daquilo que viram e ouviram; homens que não tiveram suas vidas por preciosas que não foram consumidos pelo materialismo ou secularismo. Homens que tinham não somente o dever, mas o prazer na obra missionária. Homens como Jonh Knox que disse: “dá-me a Escócia se não eu morro”; George “Dá-me vidas se não tira a minha”. Kalley amou tanto o Brasil que abandonou todas oportunidade que dispunha para viver no perigoso solo tupiniquim  A igreja precisa dessa paixão  desse fogo missionário.

             Atos dos Apóstolos nos dá o testemunho do impacto que a igreja pode ser quando não se esquece de missão. Ela enfrentava perseguições, dificuldades financeiras, crises políticas e carência de obreiros bem preparados, entretanto, o evangelho crescia a custo de suor e de suas próprias vidas. A sociedade era impactada e dizia: “Estes que têm transtornado o mundo” (At 17.6). Para eles, o viver era Cristo; o propósito era a glória de Deus; o método era a pregação; o alvo os incrédulos; a verdadeira comunhão os unia; o amor se traduzia em ações; os fortes guiavam os fracos; enfrentavam as dificuldades com oração, tinham como objetivo de vida apenas testemunhar do seu mestre. Era uma igreja de memória.            
  
             Que não venhamos esquecer ou minimizar nossa missão, somos igreja (ekklesia) e como o próprio nome advoga somos chamados para fora. O nosso mandato é cumprido muito mais fora da igreja do que nele, precisamos lembrar do nosso dever, mas com fervor e amor. Que a Palavra Deus que é martelo que esmiúça penha, venha triturar tudo aquilo que foi edificado pelo materialismo, ritualismo e pragmatismo; que a Palavra de Deus que arde como fogo venha aquecer os corações áridos, estéreis e apáticos. Pois só com o revestimento do alto poderemos ser testemunhas em Jerusalém, Judéia, Samaria e os confins da terra. A ação missionária passa pelo caminho do poder regenerador e santificador do Espírito Santo.       
  

[listar artigos desse colunista]

IGREJA CONGREGACIONAL NO BESSA

Rua Cândida Nóbrega Ferreira, S.N. - Bessa - João Pessoa/PB
Fone: (83) 3021-2172