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Pr. Anderson José de Andrade Firmino

Pr. Anderson José de Andrade Firmino:
JEITINHO BRASILEIRO: CRISE NA ÉTICA

INTRODUÇÃO

    Evangélicos em Crise foi o titulo dado por Paulo Romeiro em seu livro que narra o caos no evangelicalismo brasileiro. A igreja se tornou incapaz de deter teologias humanistas e materialistas como no caso da Teologia da Prosperidade. Esta deficiência doutrinária não poderia desembocar em outra coisa que não fosse a vida moral da igreja. A ética é moldada não em padrões absolutos (Bíblia), mas pelos objetivos econômicos. Se for rentável e trouxer lucro é ético. E o termo ganância é substituído por fins lucrativos. Esta certamente não é a ética do cristianismo histórico: (Lc 12.15) “porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui”.
    Tal crise se dá por algumas razões:
1.    Crise teológica: a teologia para muitos é vista com maus olhos, como a letra que mata  e esteriliza o coração. Pensamento antibiblico como este gera incompreensividade da natureza santa de Deus e da essência destrutiva e má do pecado.
2.    Crise eclesiologica: os números se tornaram mais desejável que a glória e a benção do Senhor.  
3.    Abandono gradativo dos grandes credos e confissões de fé: ao abandonar séculos de tradição interpretativa e teológica, evangélicos se tornam vulneráveis a novas interpretações.

1.1 - Éticas Humanísticas
     As chamadas éticas humanísticas são aquelas que tomam o homem como centro de todos as coisas.

1.1.1 Hedonismo: Esse sistema ensina que o certo é aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo" significa prazer. Este pensamento tem como princípio norteador o prazer.  Cada indivíduo deve buscar acima de tudo aquilo que lhe traz prazer ou felicidade.

1.1.2 Utilitarismo: Enquanto o hedonismo olha o indivíduo, o utilitarismo olha o grupo ou seja, o coletivo. Tem como valor máximo o que considera o bem maior para o maior número de pessoas. O perigo reside em quem, ou que  determina o que é  bom para a maioria? Os nazistas em nome de um bem dizimaram milhões de judeus. Ele é  pragmático, frio e impessoal. É o político que rouba, mas trabalha.

1.2 A Ética Cristã: Augustus Nicodemus define da seguinte forma: “Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos”. A Ética Cristã está fundamentada em alguns pilares: 1º Deus existe, é único e criador; 2º Se revela ao homem; 3ª A Escritura Sagrada é a sua revelação; 4º A humanidade está decaída em Adão e incapacitada por si só de reconhecer a vontade de Deus.

1.3 - Jeitinho Brasileiro
a) Wikipédia: Jeitinho é uma forma de navegação social tipicamente brasileira, onde o indivíduo utiliza-se de recursos emocionais – apelo e chantagem emocional, laços emocionais e familiares, etc. – para obter favores para si ou para outrem. Não deve ser confundido com suborno ou corrupção.
b) Prof. Lourenço Stelio Rega: em seu livro Dando um jeito no Jeitinho: define jeitinho como uma saída para situações sem saída ou mesmo para uma situação que não se quer enfrentar.
    O jeitinho pode ser também definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de se "dar bem" em uma situação "apertada". O personagem João Grilo do Ariano Suassuna em o Alto da Compadecida e Agostinho da Grande Família ilustram muito bem este jeitinho. O jeitinho brasileiro em si, segundo definições acima não é pecaminoso, mas pode desembocar no pecado. 

II – FUNDAMENTOS DA ÉTICA BÍBLICA

2.1 A Revelação como fonte da Ética Cristã.
    Tradicionalmente se tem afirmado que a Bíblia é a fonte suprema de orientação divina. Os reformadores deixaram muito claro esta verdade quando levantaram a bandeira do Sola Scriptura (só a Bíblia) contra Roma. A Bíblia por si só é o supremo tribunal de apelação em todas questões tratadas por ela. É impossível distinguir o certo do errado quando se está distante da Palavra de Deus.

2.2 - A Vida Moral  e o Antigo Testamento
    Fundamental para tudo o que os autores das Escrituras hebraicas dizem sobre o que podemos chamar “vida ética” é o tema aliança. Deus firmou uma aliança com seu povo (Gn 1.27-30), em que Ele seria nosso Deus e nós seríamos Seu povo (Jr 24.7, 30.20). Esta aliança é claro é uma pista de mão dupla. Ser participante da aliança – ser recipiente da graça divina – implica em obrigações e princípios que estão registrados no AT. Grenz diz: “ser participante da aliança não permite bifurcação entre adoração no templo e vida cotidiana. Ser recebido  pelo Senhor no sábado exigia uma vida reta durante toda semana” (Is 1.10-17). Envolvia coração e mãos puras (Sl 24.3-4). Para se ter vida moral agradável o povo tinha que conhecer seu Deus. O Autor da aliança era fiel (Jeremias), justo (Amós), amoroso (Oséias) e santo (Isaías).
    Diferentemente da ética grega que buscava o viver bem como objetivo final, os hebreus preocupavam-se com a justiça que envolvia obediência (I Sm 15.22) e santidade (Lv 11.45, 20.7). O pecado na Lei não é uma questão sensorial (sentir bem ou mal) mas uma obstinação, ou seja,  recusar a retidão ou a responsabilidade da aliança. Ainda que isso representasse:
Primeiro, perda de enriquecimento – Eliseu (II Rs 5.1-16), Daniel (Dn 5.16-17)
Segundo, prejuízo político – os  jovens judeus (Dn 3.1-23) e Daniel (6).
Terceiro,  dano à  própria vida como foi com Micaías (I Rs 22.13-28),
O objetivo da Lei era mostrar que a aliança trouxe responsabilidades para com Deus (os 4 primeiros dos 10 Mandamentos) e para com os outros (os outros 6 Mandamentos).

2.3 A Vida Moral e o Novo Testamento         
    Para Jesus o viver bem não é a busca pela felicidade, mas, a busca do Reino de Deus (Mt 6.33). Viver bem é sinônimo de esta sob o reino e  segundo a vontade do Rei. Ser ético para Jesus é guardar os dois grandes Mandamentos (Mt 22.37-39) “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
    A ética do Reino afeta o homem como um todo:
Esfera social – Jesus fala do casamento como uma união divina e insolúvel que deve ter como características o amor e o perdão (Mt 19.3-12); e os cidadãos do Reino devem estar seguros em Deus e não nas riquezas (Mt 6.33, 19.16-22). A ética de Cristo não é egoísta como o modelo de matrimônio atual ou materialista como nossa sociedade.
Esfera Espiritual -  A mensagem de Jesus exigia arrependimento e fé dos seus ouvintes (Mc 1.15) vida simples como das criancinhas (Mc 10.15, Lc 18.17), vendo que a graça é soberana e imerecida (Ef 2.8-9, Tt 3.5). Tendo Cristo como paradigma máximo (Mt 11.29-30) e as Escrituras como sua revelação (Jo 5.39).

III – A INFLUÊNCIA DO JEITINHO BRASILEIRO NA IGREJA BRASILEIRA.

3.1 O jeitinho Brasileiro e a Pregação.
    A pregação fiel das Escrituras é a marca tanto da verdadeira igreja como do pregador. A pregação deve ter como base a Bíblia, como dom o Espírito Santo e como alvo à glória de Deus. O pregador, ou o líder de departamento da igreja local deve confiar que a pregação bíblica com a ação do Espírito em que visa a glória de Deus é o meio mais eficaz de transformação de vidas (I Co 1-2).
    A pregação hoje caminha para dois grandes perigos: Primeiro: Jeitinho camuflado de espiritualidade – o pregador que não medita de dia e de noite (Js 1.8, Sl 1.2, I Tm 4.15) pois o Espírito concede a mensagem na hora. Segundo, jeitinho camuflado com muitas atividades. O pregador é tentado ou pressionado a desenvolver outras atividades. Então os sites de homilética, os livros com esboços pré-fabricados se tornam atraentes. Na pregação não há espaço para “molejo” ou “jogo de cintura”. Como disse o grande pastor congregacional Jonathan Edwards: deve ter  “luz na cabeça e fogo no coração”.     
        
3.2 O Jeitinho Brasileiro e a vida cotidiana
Como disse Rega: “o jeitinho é quase um código secreto de relacionamento. Basta apenas que algo dê errado para pensarmos em como "dar a volta". Justificamo-nos com todos os rigores da razão: se podemos pagar menos imposto de renda a um governo que não retribui adequadamente em benefícios sociais para seus contribuintes, por que fazê-lo? Por que pagar uma multa de trânsito – altíssima – se podemos dar um jeito de cancelá-la?” Ações como esta ferem os ensinamentos de Cristo (Mt 5.13 -16, 6.1, 7.13-14, 22.21) Paulo (Ef 4.17-24, I Tm 4.12) como de toda Bíblia.

Conclusão


     Todos nossos princípios devem se subjugar a verdade atemporal que é a Bíblia (Mt 24.35, I Pe 1.24-25). A Bíblia é a Palavra de Deus em todas as culturas em todas as épocas. Ser ético é ser bíblico , é dizer como o salmista (Sl 119.11) “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti”

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