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Pr. Anderson José de Andrade Firmino

Pr. Anderson José de Andrade Firmino:
Família do Pastor ou Família de Pastores?

Família do Pastor ou família de pastores?

 

    Antes de qualquer mal entendido, não estou postulando o ministério pastoral feminino por convicções teológicas e exegéticas. Muito embora acredite que existe espaço para o ministério feminino na igreja. O que quero dizer, é que diante da multidão de desafios ministeriais de cuidar de si mesmo, doutrina, “irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito”. Ainda enfreta-se um outro grande desafio, uma má compreensão dos dons ministerias por parte da igreja e mesmo dos pastores. Percebe-se claramente no consciente ou inconsite eclesiástico atual que a família do pastor deve ser uma família de pastores, uma família de líderes. Os demais oficiais da Igreja ficam isentos ou recebem a pressão em menor escala: a família do presbítero não tem de exercer presbiterato, a do diácono não tem de exercer o diaconato. Porém, da família do ministro, espera-se o exercício pastoral. É excelente quando a esposa do pastor é uma auxiliadora dele e da igreja, é extraordinário quando o filho do pastor é um colaborador fervoroso. Entretanto, não podemos nos esquecer do ensino apostólico sobre os dons. Paulo aos coríntios (I Co 12.4-11) escreve que os dons são diversos, que existe diversidade nos serviços e diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. E ainda instrui que é o “Espírito quem realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente”. Como comenta Boice: “Não é apenas nos dons que vemos uma variedade. Vemo-la também nos estilos em que são exercitados. Nesta área, os próprios apóstolos são um exemplo. Todos receberam o dom do apostolado, mas cada qual o exerceu de uma forma totalmente diferente. Pedro era um orador dinâmico e eficiente... João era mais pacato... Paulo, chamado posteriormente para se unir aos apóstolos, era um evangelista agressivo. Nem sempre era fácil conviver com ele, e sabemos que, pelos menos em uma ocasião”. Isso significa que o filho do pastor não necessariamente será um pastorzinho como se existisse uma dinastia eclesiástica ou que a esposa do pastor será obrigatoriamente a presidente do departamento de Auxiliadora Feminina. A esposa do pastor, antes de ser uma auxiliadora da igreja é a auxiliadora do seu marido. Pensando na perspectiva de uma família de “co-pastores” cometemos dois grandes equívocos. O primeiro é de caráter hermenêutico, supervalorizar o dom de presidir (Rm 12.8) em detrimento dos outros relevantes dons como: serviço (Romanos 12:7; 1 Pedro 4:11), conhecimento (1 Coríntios 12:8), exortação (Romanos 12:8), fé (1 Coríntios 12:9), contribuição para suprir necessidades de outros (Romanos 12:8), ajudar outros (1 Coríntios 12:28), misericórdia (Romanos 12:8) entre outros. O segundo equívoco é de caráter pastoral e familiar, é a criação de uma pressão do pastor e da igreja sobre a esposa e filhos.  Como disse Ariovaldo Ramos: “Essa sobrecarga injusta acaba por gerar, no pastor e na sua família, um estresse insuportável. O ministério, ao invés de fonte de bênção, converte-se em fonte de neuroses e sofrimento. E fica pior se o pastor adota essa mesma postura, tornando-se assim, o algoz da própria família”.
    É necessário que de forma meticulosa estejamos vigiando entre os extremos da família do pastor. Pois, se por um lado é perigoso, cansativo e anti-bíblico a carreira solo do pastor, é igualmente arriscado o exercício fervoroso de cada um dos membros em detrimento da unidade familiar. Podemos encontrar o ponto de equilíbrio entre estes extremos na vida de Noé. O patriarca constrói seu ministério em família, a sua linhagem atende e o acompanha com fé o chamado de Deus. A família do patriarca transcende o serviço ministerial, não existe competição entre os cônjuges ou ciúmes com os filhos, eles não apenas constroem a grande arca de madeira, eles entram nela. É serviço com unidade, é família com ministério.
    É bom que todos entendam que a família do pastor, não é co-pastora e tem que ser pastoreada como qualquer outra família. Pois participa dos mesmos dramas, necessidades, dificuldades e emoções que qualquer família. Portanto, assim como de se espera que a família do ministro seja benção na igreja, assim também se espera que a igreja seja benção na vida familiar do ministro. Pois, como disse George Whitefield: “o maior presente de Deus para uma nação, uma cidade e uma igreja é um ministro fiel”.


 

 

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