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Presb. Osmar de Lima Carneiro

Presb. Osmar de Lima Carneiro:
Enfeitando cruz!

Enfeitando cruz!

Quando adolescente, presenciei uma tragédia: dois homens armados de faca peixeira discutiram e, de forma brutal, trocaram facadas até a morte. No local da tragédia - uma estrada que ligava o nosso povoado à Alexandria/RN - as famílias construíram pequenas capelas com cruzes e passaram a enfeitálas, competindo para ver qual a que enchia mais os olhos dos transeuntes. Que disputa inglória! Só gastavam as suas economias, pois aquelas cruzes enfeitadas não produziam nada de positivo senão lembranças de violência e de ódio. Enfeitar cruz é mesmo que maquiar defunto - uma tarefa infrutífera.

Hoje vemos muitas igrejas assim, bem enfeitadas, ornamentadas. Igrejas com um bonito templo, resultado de um projeto arquitetônico arrojado, bonita bancada, instrumentos musicais modernos, os eletrônicos substituindo a voz humana, uma dinâmica de Culto eletrizante, a indumentária do coral cintilante, a qualidade da sua educação religiosa muito esmerada, salas climatizadas para todos os haveres, os seus líderes com o mais alto padrão de qualificação ministerial,o gazofilácio abarrotado de ofertas. Tem tudo, até muitos membros e uma bela estatística! Mas no serviço, nenhum registro. Tudo, tudo, menos os frutos do Espírito. Nenhum sinal do Pentecostes.

As Ofertas se transformam em verbas orçamentárias, a Pregação se transmuda em preleção; a Oração numa mera repetição de fórmulas; o Culto parece uma atividade morta, sem vida; o Cântico, com muita arte, mas não louva.Alguns cristãos (mais de quinhentos - I Co 15:6), após ouvir o Mestre (Lc 24:49) seguiram para o Cenáculo. Recolheram-se ali, mas carregados de temores, e muitos planejando uma desculpa para fugir daquele lugar. Ali só estiveram para a estatística, para entrar na história. Na história dos religiosos sem vida cristã, sem amor pela Obra de Deus.ABíblia e a história nunca mais falaram neles, certamente nada fizeram dignos de registro. Eram quase quatrocentos crentes fora do Pentecostes, tristes, desapontados, sem um cântico de louvor, talvez enfeitando as cruzes do Calvário.

A minoria (menos de cento e vinte) ficou no Cenáculo, desejando uma bênção. Foram dez dias de experiências até o Pentecostes, que capacitou-os a realizarem uma grande obra, e saíram dali com o cântico triunfante das Boas Novas, regozijando-se da sua humilhação, cantando à meia-noite na prisão, testemunhando a todos da vida abundante que detinham.

O Pentecostes é uma palavra desconhecida no vocabulário moderno, uma fonte inexplorada pela igreja atual. No passado a igreja celebrava o Dia de Pentecostes, o aniversário da descida do Espírito Santo com o mesmo fervor que celebrava o Natal. Mas a data ficou perdida pelos caminhos da história da igreja que não ora, apenas se ornamenta, noutras palavras, ornamenta cruz. Você conhece essa igreja? Fuja dela, correndo sobre os pés da oração, com os olhos fitos na Palavra de Deus e proclamando altaneiramente o Evangelho.Tomemos uma posição corajosa, voltemos ao Pentecostes, senão continuaremos com uma vida espiritual mais contemplativa do que vitoriosa, mais lastimosa do que apaixonada. “Ser-me-eis testemunhas, ao descer sobre vós o Espírito Santo...”

 

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