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Pr. Anderson José de Andrade Firmino

Pr. Anderson José de Andrade Firmino:
Antes que chegue 2015

Antes que chegue 2015

“Lembre-se de como o Senhor, o seu Deus, os conduziu por todo o caminho no deserto, durante estes quarenta anos...” Deuteronômio 8:2

 

Oliver Cromwell avisou ao artista que pintava seu retrato que se recusaria a pagar um centavo sequer pelo quadro se ele não se parecesse exatamente com ele, inclusive com "espinhas, verrugas e tudo o que você vê em mim". Ao que parece, o grande estadista e congregacional inglês era tão corajoso ao posar para um retrato quanto era liderando um exército no campo de batalha. A maioria de nós não é assim tão valente. Nossas fotos sem retoques nos incomodam e, certamente, pagaríamos de bom grado para que alguém pintasse um retrato que melhorasse nossa aparência. Nesta parte de seu discurso de despedida, Moisés retratou o povo de Israel como era de fato, "com verrugas e tudo". Era importante para a vida espiritual deles que Moisés fizesse isso, pois um dos primeiros passos para a maturidade é aceitar a realidade e tomar uma atitude em relação a ela.

Antes da transição do deserto para Canaã e da promessa para o cumprimento, o povo precisava de algumas recomendações pastorais. Pois, os perigos do cumprimento são tão reais quanto à paciência da promessa e as ciladas da bonança são tão sutis e autênticas quanto os ribombares do deserto. O Jordão era literalmente o divisor de águas. Aquele rio era a virada de contexto, o portal para o novo, era o réveillon do povo da aliança. Mas antes da chegada do novo, eles precisavam da consciência de duas lições:

Eles precisavam lembrar os feitos de Deus no passado. Moisés admoestou por quatro vezes a lembrar (8:2, 18; 9:7, 27) e em outras quatro exortou a não esquecer (8:11, 14, 19; 9:7). O deserto revelou o coração do povo, transpareceu as verdades mais acaçapadas da alma. Deus sabe o que há dentro do coração de seus filhos, mas nem sempre seus filhos o sabem - ou querem saber. Canaã era a prova irrefutável da graça, amor e soberania de Deus. “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” II Tm 2.13. Assim como Israel, nós precisamos reconhecer que chegamos aonde chegamos pelo beneplácito do redentor. Pois, sem Ele nada podemos fazer. E não podemos esquecer isso!        

Eles precisavam esquecer as cicatrizes do passado. Há irmãos, quantas marcas poderiam ter Josué e Calebe? Os únicos, isso mesmo, os únicos que participaram do “réveillon”. O que terá acontecido com seus pais, irmãos, amigos e esposas? Foram mortos por causa do bezerro de ouro? Consumidos pela terra que se abriu? Levantaram-se contra a liderança de Moisés? Nunca teremos essas respostas. Mas, uma coisa é fato. Ficaram no deserto! Estes homens precisavam atravessar o Jordão sem estigmas do passado, sem cânceres dos atos soberanos de Deus e sem lesões do cuidado do bom Pastor.

Que atravessemos o Jordão (réveillon) com a memória revigorada dos livramentos, curas, bênçãos, graça e provisões do Senhor e que as decepções, ausências, perdas e dores não sejam carregadas no sacrário do nosso coração. Lembre-se do que precisa ser lembrado e deslembre daquilo que lhe causa dor e estagnação.             

 

 

 

 

 

           

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