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Pr. Anderson José de Andrade Firmino

Pr. Anderson José de Andrade Firmino:
Flores atrasadas.

Flores atrasadas.

“É possível dar sem amor, mas é impossível amar sem dar”.

Richard Braunstein

            As Escrituras nos orientam que existe um tempo certo para todas as coisas debaixo dos céus. “Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria” Ec 3.2-4. Essa porção da Palavra do Senhor nos orienta sobre duas questões: ação e discernimento. Precisamos de ação para plantar, de disposição para amar, de quebrantamento para chorar e de contentamento para alegrar. Entretanto, o tempo de fazer é tão importante quanto o próprio realizar. Pois nem sempre amamos na hora de amar ou choramos na hora de chorar. A conciliação destes elementos é exposto pelo sábio: “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Pv 25.11).

            Uma das grandes evidências da perda deste “time” é a casa do luto, ou seja, o velório. Como pastor evangélico já participei de inúmeros velórios e já celebrei incontáveis cerimônias fúnebres. Ouvi mensagens emocionadas de entes queridos que “perderam” pais, filhos ou cônjuges.  Vi olhos irrigados em lágrimas de amor, saudade e ternura. Vi também coroas belíssimas de gérberas, crisântemos e rosas. Todavia, as emocionantes palavras nunca foram ou serão ouvidas por aquele que partiu, e as esplendidíssimas coroas de flores também nunca foram ou serão vistas ou cheiradas. Devemos amar, respeitar, honrar e presentear no tempo certo, ou seja, em vida. Recite uma poesia para seu cônjuge, compre um ramalhete para sua mãe, beije e faça um cafuné em seu filho. E porque não fazer o mesmo com sua sogra, sogro, genro ou nora? Seja amável de palavras, afetuoso de gestos e generoso de presentes. Mas, tudo isso em vida. Ame seu pastor e abrace seu irmão, pois um dia não poderá fazer mais.

            Davi perdeu o tempo de amar, instruir e disciplinar seu filho Absalão. Terceirizou o cuidado do seu filho para seu sogro (II Sm 13.37) e privatizou a restauração de seu descendente para Joabe (II Sm 14.1-2). Absalão passou três anos sendo perseguido pelo seu próprio pai (II Sm 13.38) e dois anos exilado do carinho e presença de seu patriarca (II Sm 14.27-28). Isso mesmo, cinco anos sem ouvir o som da voz de seu pai, cinco anos distante das festividades natalinas de pai e seu pai da sua. Cinco anos sem um afeto ou repreensão.  Entretanto, quando o luto visitou sua casa ele chorou e pranteou de forma nacional e pública (II Sm 18.33). Já era tarde! As flores foram atrasadas! Davi chamou seu filho, quando ele já não podia escutar (II Sm 18.33) Desejou sua vida quando ele já estava morto. Não seja como Davi, não protele as flores da amizade, não delongue as rosas do perdão, não procrastine a coroa da reconciliação sincera. Faça isso agora. Ligue, visite, abrace, honre, mas acima de tudo ame. Envie as flores já, antes possa ser tarde demais! 

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