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Pr. Anderson José de Andrade Firmino

Pr. Anderson José de Andrade Firmino:
DISTORÇÕES DA DOUTRINA DE CRISTO NA HISTÓRIA

INTRODUÇÃO

    A doutrina do Ser e das obras sempre foi um tema controverso. Desde o primeiro século vemos a fragilidade nas definições do Ser e obras do Redentor, uns declaravam ser ele Jeremias, Isaias, Elias, João Batista ou alguns dos profetas. Na historia posterior os debates foram calorosos e causa de muitos cismas e excomunhões. Alguns na tentativa de “defender” sua divindade anulavam sua humanidade e outros no fervor de resguardarem sua humanidade eliminaram sua divindade. Esta lição visa reafirmar a crença bíblica do evangelicalismo histórico concernente à pessoa de Jesus Cristo e levantar as heresias históricas da doutrina. Algumas declarações de fé que reafirmam a fé bíblica do Ser do redentor. 
1. Concilio de Calcedônia
“Fiéis aos santos Pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, e perfeito quanto à humanidade; verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, constando de alma racional e de corpo, consubstancial com o Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; em tudo semelhante a nós, excetuando o pecado...”.
2. Declaração de Savoy - Cap. 8 parágrafo II
“O Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, sendo vero e eterno Deus, de uma só substância com o Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria e da substância dela. As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas - a Divindade e a humanidade - foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem”.
3. Os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo
Art. 13º - Do Autor da Salvação
“Foi adquirida, porém, pelo Filho, não com ouro, nem com prata, mas com Seu sangue, pois tomou para Si um corpo humano e alma humana preparados pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem; assim, sendo Deus e continuando a sê-Lo se fez homem. Nasceu da Virgem Maria, viveu entre os homens, como se conta nos evangelhos, cumpriu todos os preceitos divinos e sofreu a morte e a maldição como o substituto dos pecadores, ressuscitou e subiu ao céu. Ali intercede pelos seus remidos(5) e para valer-lhes tem todo o poder no céu e na terra. É nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que oferece, de graça, a todo o pecador o pleno proveito de sua obediência e sofrimentos, e o assegura a todos os que, crendo nEle, aceitam-no por Seu Salvador”.

I – DISTORÇÕES CRISTOLOGICAS: A NEGAÇÃO DA HUMANIDADE DE CRISTO


1.1 Docetismo
1.1.1 – Panorama Histórico – pensamento teológico que nasceu no final do 1ª século e ganhou muita força a partir do 2ª século. Docetismo (do grego δοκέω [dokeō], "para parecer, aparencia ou semelhaça") é o nome dado a  doutrina daqueles que negavam a perfeita humanidade de Cristo, seus principais proponentes são: Basílides (117-138 D.C), Valentino e Sabélio (? - 215 A.D)
1.1.2 – Desvio Teológico – os docetistas ensinavam que Cristo possuía a semelhança de um homem, que aparentemente tinha nascido, vivido e sofrido, mas não era realmente homem. 
1.1.3 – Refutação Bíblica e Histórica
 Refutação Bíblica: como já foi visto na lição 6 (A Humanidade de Cristo) será citado apenas alguns versículos (Mt 4.2; Lc 2.40; Jo 13.21, Gl 4.4)  
 Refutação Histórica:  o docetismo enfrentou grande resistência da igreja e foi declarada como heresia. Irineu de Lião (130 — 202 d.C), pai grego dos primórdios da igreja que atuou como bispo, teólogo e polemista combateu esta heresia em seu celebre livro “Contra as Heresias”. Inácio (67 - 110 d.C.) que foi Bispo de Antioquia da Síria e discípulo do apóstolo João também deu grande contribuição apologética contra esta doutrina. 
1.2 Sabelianismo
1.2.1 – Panorama Histórico - Sabelianismo (também conhecido como modalismo) é a crença estabelecida no Século III. Sabélio (? - 215 A.D), é o seu proponente, foi um teólogo cristão, provavelmente nascido na Líbia ou Egito e se tornou o principal líder dos modalistas (heresia trinitária que não vê o Pai, o Filho e o Espírito Santo como três pessoas singulares) em Roma.
1.2.2 – Desvio Teológico – Ele negava que o Pai, o Filho e o Espírito Santo fossem pessoas distintas e argumentava que estes nomes eram formas de manifestações de uma mesma pessoa. “Como o Pai, no Antigo Testamento, como o Filho no período do Novo Testamento, e no presente como Espírito Santo” (Campos p. 359). São três modos de manifestação de uma mesma pessoa divina.   
1.2.3 – Refutação Bíblica e Histórica
 Refutação Bíblica: Cada uma das pessoas da trindade são inconfundíveis. Onde o Pai não é o Filho ou o Espírito Santo (Gn 1.1-2, 26; Sl 110.1; Mt 3.16-17, 28.19; II Co 13.13; I Pe 1.2; Jd 20-21).
 Refutação Histórica: O principal oponente do Sabelianismo foi Tertuliano (155-222 d.C) o mais importante e original dos escritores latinos, depois de Agostinho de Hipona, nasceu por volta de 155, em Cartago.
1.3 - Reflexo da doutrina Hoje
    Muitas seitas e heresias dos dias atuais não mais são que repetições de desvios antigos. LBV, Espiritismo, gnosticismo negam a perfeita humanidade de Cristo.

II - DISTORÇÕES CRISTOLOGICAS: A NEGAÇÃO DA DIVINDADE DE CRISTO

2.1 Ebionismo
2.1.1 – Panorama Histórico –O ebionismo era um tipo de cristianismo do segundo século muito influenciado pelo judaísmo e com um grande propósito de proteger a doutrina monoteísta. Seus principais proponentes foram Cerinto (c. 100 d.C), Paulo de Samosata viveu, aproximadamente, entre 200 e 275) bispo de Antioquia entre 260 e 268 e Ário que vamos falar logo mais e muitos outros. A atribuição da fundação do grupo é conferida, por alguns estudiosos, a um líder da comunidade judaica conhecido como Ebion.
2.1.2 – Desvio Teológico – para eles Jesus não passava de um simples filho de José e Maria que foi revestido do Espírito Santo no ato do batismo, para exercer as funções de Messias. Eles não consideravam os escritos de Paulo como inspirados e honravam os escritos de Pedro e Tiago. Principais erros cristologicos:
- Jesus não é Deus,
- Cristo é o Espírito Santo que desceu sobre Jesus, o filho de José e Maria, no batismo enviado pelo Pai. Entretanto, o Cristo abandonou o homem Jesus antes da crucificação. 
    Existem muitos outros erros doutrinários que são muito bem expostos no livro A Pessoa de Cristo As duas Naturezas do Redentor. 
2.1.3 – Refutação Bíblica e Histórica
- Refutação Bíblica: As lições de número sete e oito tratam deste aspecto cristologico. 
- Refutação Histórica: Os ebionistas enfrentaram grande oposição da parte dos pais da igreja, homens como Irineu Lião (seu livro Contra as Heresias), Hipólito, Orígenes (Comentário de Mateus e Contra Celso) e Eusébio de Cesárea (Historia Eclesiástica) foram incisivos no combate desta heresia. Paulo de Samosata foi deposto do bispado em 268 d.C e timbrado como herege, assim como todos aqueles que negaram a divindade do Redentor.  
2.2 Arianismo IV
2.2.1 – Panorama Histórico – Ário foi presbítero da igreja em Alexandria, no Egito. Nasceu na Líbia e foi discípulo de Luciano de Antioquia que era seguidor das doutrinas de Paulo de Samonata foi condenado em 325 no Concilio de Nicéia (325 d.C).
2.2.2 – Desvio Teológico – os pilares do pensamento ariano são:
- Que o Filho e o Pai não eram da mesma essência
- Que o Filho era uma criação do Pai
- Que não é eterno.
2.2.3 – Refutação Bíblica e Histórica
- Refutação Bíblica: Cristo é perfeitamente Deus na mesma substancia do Pai. Uma exposição mais aprofundada é vista nas lições 7 e 8.
- Refutação Histórica: O pensamento de Ario foi repudiado. O Concílio de Niceia (325 d.C.) condenou esta doutrina após uma grande controvérsia e declarou-a herética, bem como o Sinodo de Antioquia no começo de 325. O credo tem a seguinte proposição: “...E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus, gerado do Pai, unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial do Pai, por quem todas as coisas foram feitas no céu e na terra...”).
2.3    – Reflexo da doutrina Hoje
As fileiras dos negam a divindade de Cristo são bem volumosas. Moonismo, Meninos de Deus, Nova Era, Hinduismo, ateísmo, espiritismo, Testemunhas de Jeová, Maçonaria e outras. Muitos filmes de Hollywood  como Matrix, Código da Vince e Avatar caminham no espírito do anticristo. 

III – DISTORÇÕES CRISTOLOGICAS: A FUSÃO DAS DUAS NATUREZAS E A DUPLICIDADE DAS PESSOAS

3.1 Eutiquianismo
3.1.1 – Panorama Histórico – Êutico (378-454 d.C) monge de Constatinopla é o idealizador deste pensamento teológico. A doutrina surgiu para combater o uma outra heresia que era o nestorianismo.
3.1.2 – Desvio Teológico – Ele acreditava no monofisismo; a natureza humana foi absorvida pela divina para criar uma terceira nova natureza.  
3.1.3 – Refutação Bíblica e Histórica
- Refutação Bíblica: Cristo é um Ser com duas naturezas: Humana (Mt 1.24-25; Lc 2.7,40; Jo 12.27) e Divina (Mt 18.20; Jo 1.1,18, 20.28; Rm 9.5; Ap 2.23, Cl 1.16).  A Divindade e a humanidade - foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão composição ou confusão.
- Refutação Histórica: “Para resolver a controvérsia em torno da pessoa de Cristo, convocou-se na cidade de Calcedônia, perto de Constantinopla  (atual Istambul), realizando de 8 de outubro a 1ª de novembro de 451d.C”. Grudem.
3.1.4 - Reflexo da doutrina Hoje
3.2 Nestorianos
3.2.1 – Panorama Histórico:  Nestório (380-451) seu fundador era um famoso pregador em Antioquia e foi bispo de Constantinopla.   
3.2.2 – Desvio Teológico: segundo a qual há em Jesus Cristo duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, completas de tal forma que constituem dois entes independentes.
3.2.3 – Refutação Bíblica e Histórica:
- Refutação Bíblica: Não vemos em parte alguma da Bíblia, indicação de que a natureza humana de Cristo seja independente da natureza divina. Não existe na Bíblia nenhum dialogo ou luta entre as naturezas. Jesus sempre fala “eu”, e não “nós”. A Bíblia sempre trata de Jesus como “Ele” e não “Eles”. 
- Refutação Histórica: Nestório foi condenado no Concilio de Éfeso 431 d.C e em Calcedônia 451 d.C. 
3.1.4 - Reflexo da doutrina Hoje

Conclusão

    Precisamos aprender da História para não repetimos seus erros. A doutrina da pessoa de Cristo é uma das colunas principais da fé bíblica e deve ser claramente compreendida, exposta e praticada. O Redentor teria que possuir as duas naturezas (Divina e Humana) pelas seguintes razões (Campos p.108):
1. O Redentor tinha que ser homem para poder substituir homens. Hb 2.17
2. O Redentor tinha de ser um homem ideal, não simplesmente um homem real.
3. O Redentor tinha de ser verdadeiro Deus para que pudesse salvar os pecadores.
4. O Redentor tinha de ser verdadeiro Deus para que pudesse suportar a ira Divina.
    Negar uma das naturezas ou mal compreendê-las é extremamente danoso a vida, doutrina e culto da Igreja.

Bibliografia

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999.
CAMPOS, Heber Carlos. As Duas Naturezas do Redentor. São Paulo, Cultura Cristã, 2004.
HOUSE, H, Wayne. Teologia em Quadros. São Paulo, Vida, 2000.
CARREIRO, Vanderli Lima, Nossa Doutrina, comentário dos 28 Artigo. Rio de Janeiro, UNIGEVAN, 2005.
Bíblia de Genebra
Declaração de Fé de Savoy. João Pessoa, ALIANÇA Congregacional, 2009

 

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