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Presb. Osmar de Lima Carneiro

Presb. Osmar de Lima Carneiro:
A pedra, quem removerá?

Jesus morreu, mas a morte ampliou a sua imagem. Cada lembrança chamava outra lembrança. Cada pormenor da sua vida falava Dele com mais força: era a grande pescaria, os barcos, os enfermos... Olhava-se para um cego e Ele estava ali. Abria-se uma janela, via-se um trecho do jardim; e Ele estava no jardim. Fulgurava uma nesga no céu e Ele, sempre Ele, lá estava. Dia seguinte, à sua morte, ainda se ouvia o retumbar das quedas de Cirineu e do próprio Jesus e os golpes dos azorragues sangrentos açoitando a vítima indefesa. Ele morto, liberaram o seu corpo. Arimatéa e Nicodemus apanharam o corpo mutilado, levantam-no, o préstito caminha. E é nesse momento que se dá um grande paradoxo - saiu para ser sepultado, mas ficou, toma posse da cidade, dos palácios e todas as casas ficam cheias da sua presença. A cidade cresce, nunca se imaginou que uma só pessoa a enchesse, dando a impressão que as ruas cresceram e o horizonte subiu e as portas da urbe se alargaram, inclusive, a dor e a saudade do povo.
Envolveram-no em lençóis de linho e com faixas. O cortejo não teve orquestra, nem honras militares, mas ficou na história, atravessou séculos e ainda hoje se fala num sepultamento que se deu por poucos dias, porque o morto ressurgiu e ainda vive!. Maria e algumas pessoas soluçavam na caminhada. O préstito atravessou o jardim e num daqueles rochedos parou e o esquife entrou na boca do negro sepulcro. O povo espraiou-se pelos caminhos e os discípulos procuraram para um refúgio, de portas trancadas, com medo de tudo e de todos.
No primeiro dia da semana, algumas mulheres, com aromas preciosos, se juntam muito cedo e caminham em direção ao jardim onde Jesus fora sepultado – será a última homenagem! A primeira reação das pessoas diante de problemas é enxergar obstáculos. Foi o que se deu com aquelas mulheres: Quem irá remover a grande pedra da boca do sepulcro? Essa indagação, repetida por vezes, no trajeto daquela caminhada matinal, não obteve uma resposta. Elas caminhavam...Há vezes em que, diante de um problema, sentimo-nos desanimados, sem disposição para remover a pedra que impede o nosso acesso à solução; só pensamos no “peso da pedra” e nos “obstáculos que poderão surgir”. Mas de Deus, que é maior que todos os problemas, falou-lhes: “Ele não está aqui, porque ressuscitou!”

Quando diante de um problema sentires nada poder fazer, e que se esgotou a sua capacidade física, mental, emocional e espiritual... lembre-se que Deus é maior do que todos os problemas, e que ainda lhe resta a fé no que disse Jesus: “ No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. Se nós não removermos a pedra da nossa incredulidade, perderemos a oportunidade de dizer, como Jó: “Eu te conhecia apenas de ouvir falar, mas agora, Senhor, te vêm os meus olhos”. Caminhemos na direção do Senhor, e pedra alguma interromperá a nossa caminhada, porque o túmulo que está vazio serve de inspiração para o nosso viver!

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