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Presb. Osmar de Lima Carneiro

Presb. Osmar de Lima Carneiro:
Deixemos a Carpintaria

Voltando do Egito José montou uma carpintaria em Nazaré, vila pequena e afastada e com uma população de pouco conceito, dentro da opinião de Natanael (“... pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” – Jo 2:46). Ali agrupou alguns apetrechos necessários ao seu mister: machado, martelo, trado, ferro-de-pua ou ferrumão, enxó, plaina, serrote, lima, prego, formão, sovela e outros. Passou a trabalhar como artesão da madeira. Certamente lavrou muito cipreste, ébano, sândalo, buxo, cedro, carvalho, freixo, acácia, amoreira (muito utilizada no fabrico de instrumentos agrícolas). A exemplo de todo hebreu, teve a preocupação de ensinar a arte para os seus filhos.

Jesus, anos após anos, exercia o seu labor, numa carpintaria fabricando portas, janelas, escadas, divãs, leitos, instrumentos agrícolas (cangas, arados, máquinas para irrigação), tamboretes, carroças e muitos outros instrumentos, utilizando a sua arte.
Mas um dia Jesus deixou a Carpintaria e a pequena Nazaré e saiu pelas vilas e cidades, ensinando a palavra, abençoando pessoas, curando enfermos e fazendo a vontade do Pai Celeste, ganhando notoriedade. Mas, se dependesse dos seus contemporâneos, Ele ainda estava na Carpintaria, com as suas ferramentas toscas, talhando madeira, fabricando objetos – “Não é este o filho de José, o carpinteiro...?” – Mt 13:55. Nos momentos mais brilhantes da sua trajetória, não reconheciam o seu poder, não valorizavam as suas qualidades oratórias, não se rendiam aos seus conselhos, porque o invejavam – foi rejeitado de Nazaré à cruz - “não é este o carpinteiro”? – Mc 6:3. Até os aldeões se escandalizavam dele, talvez com inveja e ressentimento (Lc 4:16-30). Escandalizavam-se pela sua origem humilde, pela falta de educação nas escolas rabínicas, pela profissão modesta. Pela vontade dos judeus, ele ainda estava lixando as suas peças de madeira e pisando no pó-de-serra da sua carpintaria.
Conosco não é deferente! Quando crescemos na nossa vida espiritual, lendo a Bíblia, cultivando uma vida de oração, testemunhando de Jesus, entregando folhetos, distribuindo literatura, orando pelos enfermos, contribuindo para a causa, começamos a enfrentar oposição e aparecem os confrontos. Mas relevemos as críticas, os invejosos e, sobretudo, os inimigos da causa cristã. Deixemos a Carpintaria dos nossos afazeres e dediquemos-nos ao trabalho do Senhor; deixemos a Carpintaria da acomodação e preguemos o evangelho; deixemos a Carpintaria da indiferença e sigamos os passos corajosos, amorosos e céleres de Jesus e façamos a sua vontade.

No querer do inimigo ficaremos na Carpintaria, sem crescer, olhando para os objetos que estimamos e nada faremos para a divulgação do evangelho e pela salvação do perdido. Deixemos a Carpintaria!

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