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Presb. Osmar de Lima Carneiro

Presb. Osmar de Lima Carneiro:
Cuidado para não emudecer!

Zacarias e Isabel, um casal temente a Deus, residiam numa cidade dos montes de Judá.  Eram velhos e tinham atravessado a vida sob o desapontamento porquanto não geraram filhos.

     Declinando para a velhice e vendo, ao seu lado, encanecer o companheiro, Isabel resignou-se à vontade do Altíssimo.

     Atingira Zacarias idade avançada, quando, segundo o costume, exercendo o sacerdócio na ordem de Abias, teve de ir a Jerusalém para se entregar aos misteres do ofício divino. Ali chegando, e tiradas as sortes, coube-lhe entrar no recinto secreto do Templo. O velho sacerdote reveste-se dos trajes e insígnias do ministério e exibe na testa a mensagem em que se lê: “Santidade do Senhor”; e caminhando pela nave, penetra a indevassável câmara do Tabernáculo, tendo às mãos a mistura de especiarias: estoraque, ornicha, galbano e incenso.

     No recinto secreto, o lugar santo do Templo, está o castiçal de ouro, a mesa dos pães da proposição e o altar do incenso. No altar do incenso o Sacerdote Zacarias oferece a mistura sagrada, logo todo o ambiente é perfumado. Lá fora, a multidão se arroja, exclama: “Santo, Santo, Santo é o Senhor que nos tirou da terra do Egito”.

     O sacerdote prostra-se. De repente, erguendo os olhos, estremece: à direita do altar, resplandecendo, um arcanjo o contempla. Zacarias  se perturba, mas ouve:
Não temas, tua oração foi atendida e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás e nome de João. E terás prazer e muitos se alegrarão com o seu nascimento. Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá a muitos filhos de Israel ao Senhor seu Deus.

     Zacarias, recuperando a calma, pergunta:
Como será possível isso, se já estou velho e minha mulher avançada em idade?

- Sou Gabriel, que assisto diante de Deus e fui enviado a falar-te estas alegres novas; e eis que ficarás mudo até quando estas coisas acontecerem, porque não creste no que eu disse.

     Na grande nave e a transbordar  para o átrio, a multidão murmura, estranhando a demora de Zacarias. O velho sacerdote aparece pálido e com passos lentos. Fala por gestos.

     E o povo, maravilhado, começou a espalhar por toda Jerusalém: Certamente ele viu alguma visão no Templo...

    Zacarias, descrendo na promessa de Deus, ficou mudo. Tremendo castigo! Era líder, velho e teria de adaptar-se ao hábito de falar por sinais. Para um jovem já não é fácil aprender nova linguagem, ademais para um idoso.

    Caro leitor, cuide-se, exercite a sua fé, evite a punição do emudecimento, quais muitos, sem uma bênção para contar, sem uma experiência para compartilhar, sem um milagre de Deus!
 Mudo, você só poderá se expressar através de sinais. E poderão ser os sinais do ressentimento, da amargura, do desencanto, da tristeza profunda, da desconfiança, da intolerância e do medo. Zacarias, após  meses, voltou a falar e o fez com alegria, entusiasmo, emoção e muita inspiração, sendo a segunda voz profética neotestamentária. Falar através de sinais não agrada, bom é imitar o velho Zacarias, quando teve a sua língua solta e extravasou num poema de esperança e de rara beleza, assim registrado por Lucas:
“Bendito, seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo, e para nós fez surgir uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo; assim como desde os tempos antigos tem anunciado pela boca dos seus santos profetas; para nos livrar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam; para usar de misericórdia com nossos pais, e lembrar-se do seu santo pacto e do juramento que fez a Abrão, nosso pai, de conceder-nos que, libertados da mão de nossos inimigos, o servíssemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos; para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados, graças à entranhável misericórdia do nosso Deus, pela qual nos há de visitar a aurora lá do alto, para alumiar aos que jazem nas trevas e na sombra da morte, a fim de dirigir os nossos pés no caminho da paz”.

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