História

Congregacionais, os pioneiros no Brasil!

Em agosto de 2005 - 150 anos

No dia 19 de agosto de 2005 Os Congregacionais completam 150 no território brasileiro. Campina Grande e João Pessoa sediam o maior número de Igrejas do estado, com a maior membresia. A Igreja Congregacional faz parte do segmento evangelho mais antigo no Brasil.

Origem do congregacionalismo

O Congregacionalismo surgiu no século XVI (1501 - 1600), na Inglaterra, ao tempo da implantação da Reforma Religiosa Inglesa, em contraposição a tendência da época de uma Igreja estatal, centralizada, hierarquizada e ditatorial. Um grupo insatisfeito com os rumos tomados pela reforma religiosa inglesa promovida pelo rei Henrique VIII, que se afastara da Igreja Romana por questões pessoais, separou-se da Igreja Anglicana e organizou como comunidades autônomas, conhecidas pelo nome de Independente, nome esse que antecedeu ao nome Congregacional.

Na época em que reinava Eduardo VI, filho e sucessor de Henrique VIII (1553-1558), o movimento puritano, que surgira na Europa, começou a ter influência no seio da Igreja Anglicana, buscando a simplicidade de culto e pureza dos costumes no seio dela. Perseguidos na Inglaterra por Maria, a Sanguinária, católica fanática e por Isabel, filha de Henrique VIII, cujo interesse maior era fortalecer o Estado Inglês, os irmãos separatistas ou independentes estabeleceram-se na Holanda e dali partiram para o Estados Unidos, no famoso navio MAYFLOWER, estabelecendo-se em PLYMOUTH, onde organizaram a primeira comunidade Congregacional no novo continente, como extensão da Igreja de Scrooby na Holanda. Enquanto isso, os irmãos independentes que ficaram na Inglaterra e continuaram crescendo, mesmo sofrendo perseguições movidas pelas autoridades políticas e religiosas daquela nação. Principalmente através das Igrejas de governo Congregacional nos Estados Unidos o Congregacionalismo espalhou-se pelo mundo.

Congregacionalismo no Brasil

O trabalho Congregacional chegou ao Brasil graças ao esforço do Rev. Robert Reid Kalley, missionário inglês, que se dispôs a pregar o Evangelho em terras brasileiras. Kalley partiu da Inglaterra, no século XIX, para a Ilha da Madeira, possessão portuguesa na época, localizada no norte da África; ali pregou o Evangelho durante alguns anos. Depois da experiência missionária na Ilha da Madeira, Kalley voltou para a Escócia, viajando pouco depois para o Oriente em companhia de sua esposa Margarida que veio a falecer naquela viagem.

Depois de ler o livro Reminiscência de Viagem e residência no Brasil de Daniel P. Kidder e um apelo que o autor fazia à Sociedade Bíblica Americana para o envio de missionários para as terras brasileiras o Dr. Kalley sentiu arder em seu coração o desejo de vir trabalhar em nosso País. Agora já acompanhado de sua segunda esposa Sarah Poulton Kalley, Dr. Robert Kalley desembarca no Brasil onde estabeleceu-se no Rio de Janeiro, em 1855, onde realizou a primeira Escola Dominical em 19 de agosto em Petrópolis, sendo esta data considerada como da fundação do trabalho Congregacional em nosso País. No Rio de Janeiro, em 11 de junho de 1858, Robert Kalley organizou a primeira Igreja de governo Congregacional no nosso País, denominando-a de Igreja Evangélica Fluminense, ainda hoje existente naquele cidade. Detentor de uma visão expansionista, o Missionário Kalley abriu um trabalho em Recife, Estado de Pernambuco, que em 19 de outubro de 1873 foi organizado como Igreja, recebendo o nome de Igreja Evangélica Pernambucana.

O trabalho Congregacional do Brasil cresceu e num Concílio Geral realizado de 6 a 10 de julho de 1913, oficializou-se como denominação, tendo como o seu primeiro presidente, o Reverendo Alexander Telford. Mais tarde, num Concílio Geral realizado em Vitória de Santo Antão/PE, que ocorreu entre os dias 26 a 31 de janeiro de 60, foi criada a União de Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, agregando as Igrejas Evangélicas Congregacionais da nação brasileira. Por questões doutrinárias relacionadas a obra do Espírito Santo (Batismo e manifestações dos dons carismáticos), um grupo de pastores, dentre os quais estavam Jônatas Ferreira Catão, Raul de Sousa Costa, José Quaresma de Mendonça, Isaias Correia dos Santos, Roberto Augusto de Sousa, Moisés Francisco de Melo e João Barbosa de Lucena, foram excluídos da UNIÃO DAS IGREJAS CONGREGACIONAIS em julho de 1967, num Concílio Geral da denominação realizado em Feira de Santana/BA. No mesmo Concílio, o Presidente da Federação de Mocidade do Nordeste Setentrional, Osmar de Lima Carneiro, pelos mesmos motivos, foi excluído da denominação. Neste mesmo ano, em 13/08/1967, tendo como palco a Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, esses Pastores excluídos organizaram a Aliança de Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, denominação essa da qual está ligada a Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa.

Os Congregacionais na Paraíba

A Igreja Congregacional é muito forte na Paraíba, tendo sido pioneira em muitas cidades do Estado, como Sítio Serra Verde, Areia, Aroeiras, Brejo dos Santos, Catolé do Rocha, Esperança, Guarabira, Ingá, Lagoa Nova, Mamanguape, Patos, Umbuzeiro entre outras; entretanto, o maior número de Igrejas da denominação está polarizado por Campina Grande, mercê do incansável trabalho realizado pelos consagrados evangelistas: missionário Harry G. Briault e o pastor João Clímaco Ximenes, com ajuda da Missão Evangelizadora do Nordeste, órgão que tem sede na Rainha da Borborema.

Como surgiu a Igreja em João Pessoa
O trabalho Congregacional em João Pessoa começou em 1912, na Rua Amaro Coutinho, na parte baixa da cidade. Depois de uma interrupção de mais de dez anos, foi reiniciado em 1926, na Rua Vera Cruz, no bairro de Jaguaribe. Em seguida funcionou na Rua Porfírio Costa, em Cruz das Armas. Depois de algum tempo, o trabalho foi transferido para Marés, na casa de um dos irmãos da Congregação. Em seguida, voltou a ser realizado na Rua Porfírio Costa e depois na Rua Desembargador Novais, 252, em Cruz das Armas, sendo neste endereço organizada a Igreja.

A Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa foi organizada em 16 de junho de 1932, precisamente 20 anos após a primeira tentativa de fundação de um trabalho na Capital. No início, o trabalho em João Pessoa era uma Congregação da Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, sendo organizada como Igreja, na data acima, pelos Pastores Harry. G. Briault, João Clímaco Ximenes e Artur Pereira Barros, com trinta e cinco membros, e desta membresia ainda hoje vive - dona Dirce Alves Costa.

O Rev. Artur Pereira Barros, já falecido, foi o seu primeiro Pastor, seguido do Rev. Pedro Bezerra da Silva e do Rev. Jônatas Ferreira Catão, seu atual Pastor.
Como o trabalho estava em fase de crescimento, sob o pastorado do Rev. Artur Pereira Barros, a Igreja mudou-se para a Av. Cruz das Armas, 929, devido a instalação anterior não caber mais a quantidade de irmãos. Em seguida, os irmãos partiram para comprar um terreno para a construção do templo, o que foi feito em 1933. Até então os trabalhos foram feitos na casa de irmãos ou alugadas.

Em 1957, a Igreja comprou o terreno onde está localizado o atual templo, mas a construção só começou em março de 1963, época em que o templo da Igreja foi desapropriado pela Prefeitura Municipal de João Pessoa - para a implantação do Mercado Público Sindulfo Freire. No período inicial da construção, os cultos da Igreja eram realizados em conjunto com a Igreja Presbiteriana de Cruz das Armas, no templo daquela Igreja.

A Igreja tem se caracterizado como um centro formador de obreiros, principalmente sob o pastorado do Rev. Jônatas Ferreira Catão, com a ordenação de mais de duas dezenas de dois pastores e trinta missionárias, estando quase todos em atividade na seara congregacional. A obra de Deus continua nessa área específica de vocação ministerial, com mais quinze jovens estudando nos seminários de nossa cidade.

A Igreja Congregacional de João Pessoa já organizou outros núcleos evangélicos em João Pessoa (II Igreja Evangélica Congregacional no Bairro dos Novais, III Igreja Evangélica Congregacional, no Conjunto Ernesto Geisel e Igreja Evangélica Congregacional no Bessa), Bayeux, Santa Rita, Lucena, Itabaiana, em Caruaru/PE e na capital mantém trabalhos em Cruz das Armas, Bairro das Indústrias, Ilha do Bispo, Cordão Encarnado, Conjunto Ernani Sátiro, Funcionários IV e Mangabeira.

Em João Pessoa, temos Igrejas Congregacionais pertencentes aos dois principais segmentos da Denominação, que seguem os princípios Kaleyanos, a saber:
1) Igrejas da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil:
- Primeira Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa (Av. Cruz das Armas).
- II Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa - R. Cel Massa no Bairro dos Novais.
- III Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa - no Conjunto Ernesto Geisel.
- IV Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa - no Grotão.
- V Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa - em Mangabeira.
- VI Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa - em Mangabeira/Proscindi.
- Igreja Evangélica Congregacional - no Rangel
- Igreja Evangélica Congregacional no Bessa

2) Igrejas da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil:
- Igreja Evangélica Congregacional de Cruz das Armas - Na Rua Siqueira Campos.
- Igreja Evangélica Congregacional de Mangabeira
- Igreja Evangélica Congregacional do Esplanada
- Igreja Evangélica Congregacional do Valentina Figueiredo
- Igreja Evangélica Congregacional da Cidade Verde



Da União à Aliança - uma viagem histórica!
(Osmar de Lima Carneiro)


1. Divagando sobre o trabalho Congregacional

Estávamos vivendo bons momentos, com a igreja envolvida em oração e muito trabalho. Um despertamento espiritual alcançou a Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa nos primeiros dias do ano de 1959, quando Deus usou o Pastor Dorival Rodrigues Bewlke, da Igreja Metodista de Espinheiro (Recife), numa série de trabalhos especiais promovidos pela Auxiliadora Feminina, que somou às conversões, mudança de hábito em muitos membros da igreja. A Mocidade era ativa, a Auxiliadora atuante, a Escola Dominical dinâmica, o Evangelho sendo pregado com autoridade, almas sendo salvas e o Reino de Deus se expandindo. Mas, como nem tudo são flores, em 7 de novembro de 1962, houve uma divisão no seio da comunidade congregacional pessoense, com o desligamento de 83 irmãos que preferiram acorrer aos métodos e governo da Assembléia de Deus. Este grupo que saiu fez muita falta, porquanto temos de reconhecer o valor de cada um na oração, no evangelismo, no testemunho, no envolvimento de um modo pleno com a Obra de Deus.

Mas o grupo remanescente, na liderança do pastor Jônatas Ferreira Catão, não desanimou, nem tergiversou, pelo contrário, continuou exercendo o ministério da oração, a prática de uma vida à disposição do Senhor da Obra: evangelizando e servindo. Deus honrou, abençoou e triplicou a membresia da igreja, tornando-a forte numérica e espiritualmente. Muitos desses irmãos tiveram vidas renovadas, com a bênção do Batismo com o Espírito - inclusive o Pastor Catão -, exercendo dons, ganhando almas, vivendo plenamente o Evangelho. Louvado seja o nome do Senhor!

Nos idos de 1964, surgiu no seio dos Batistas, o movimento de Renovação Espiritual e muitas Igrejas foram sacudidas pelo Poder do Espírito Santo para a realização de uma grande Obra. A nossa igreja se identificou muito bem com a linha de Renovação Espiritual, porque liderada por homens de Deus de muito conceito e de bom testemunho, a exemplo dos pastores José do Rego Nascimento, Enéas Tognini, Rosivaldo Araújo, Josué Santana, René Feitosa, Wilson Régis, entre muitos outros.

Nesse tempo, foi realizado o Primeiro Encontro Nacional de Renovação Espiritual, no Centro de Convenções da Secretaria de Saúde, em Belo Horizonte (MG); o nosso líder, O Reverendo Jônatas Ferreira Catão, convidado, compareceu e foi poderosamente abençoado pelo Espírito Santo de Deus, que além de renovar as suas forças, ampliou a sua visão sobre a Obra de Avivamento Espiritual. Voltou disposto a continuar perseguindo uma vida santa, pia e justa e disposto a levar a igreja a buscar e viver esse mesmo desiderato.

Havia alegria no meio do povo de Deus e as Igrejas promoviam encontros de Renovação, com o envolvimento de muitos pastores, líderes, cantores e igrejas. Era uma festa constante, com o povo arregimentado, orando, cantando e vivendo o evangelho com muita intensidade. Como dissemos, o volume maior de igrejas era do segmento batista, entretanto, na Paraíba, tínhamos na Igreja Congregacional de João Pessoa o seu maior expoente, o epicentro do movimento, com uma atuação marcante na capital, com reflexos em toda a região.

Não demorou muito, e veio a adesão da Igreja Congregacional de Campina Grande (pastoreada por Raul de Souza Costa), da II Igreja Congregacional de Campina Grande (pastoreada por João Barbosa de Lucena), da Igreja Congregacional de Patos (pastoreada por José Quaresma de Mendonça), da Igreja Congregacional de Alagoa Grande (liderada pelo Presbítero Dr. Guimarim Toledo Sales), da igreja Congregacional do Totó (pastoreada por Isaias Correia dos Santos) da Igreja Congregacional de Casa Amarela (pastoreada por Roberto Augusto de Souza) e da Igreja Congregacional do Pina (pastoreada por Moisés Francisco de Melo) e de uma Congregação na cidade de Caruaru, denominada de Vale da Bênção (que recebia orientação pastoral de Jônatas Ferreira Catão, da Igreja Congregacional de João Pessoa).

Tínhamos, também, como uma chama ardendo de Campina Grande para o Brasil, a figura dinâmica e abençoada do missionário Gerson Barbosa de Menezes, membro da Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande. Gerson, em 1960, em pleno estádio do Maracanã, numa das poderosas mensagens de Billy Graham na Convenção Batista Mundial, fora abrasado pelo poder de Deus. Daquela tarde do Maracanã, Gerson Barbosa de Menezes, carregava no coração uma determinação de pregar o Evangelho aos não crentes e promover Avivamento entre o povo de Deus. Realizou esse trabalho de forma poderosa, proveitosa e abençoadora, por mais de três décadas, pelo Brasil e noutros rincões.

O trabalho de Renovação Espiritual, no nosso meio, não foi muito do agrado de algumas lideranças da Denominação Congregacional, sobretudo do seu Presidente, o Reverendo Inácio Cavalcanti Ribeiro, então pastor da III Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande.
Na nossa estrutura denominacional, tínhamos no Nordeste, duas Regiões Administrativas: Nordeste Meridional (estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe) e Nordeste Setentrional (Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte). Em 1967, a Junta Administrativa do Nordeste Setentrional era presidida pelo Pastor José Quaresma de Mendonça (Igreja Congregacional de Patos) e as Federações de Mocidade e da Auxiliadora Feminina eram presididas por Osmar de Lima Carneiro (Igreja Congregacional de João Pessoa) e Augusta Lins (III Igreja Congregacional de Campina Grande), respectivamente.

No mês de junho de 1967, tivemos na cidade de Patos, a realização dos Congressos Feminino e da Mocidade, contando como pregador oficial o Missionário Gerson Barbosa de Menezes. Os Congressos foram muito abençoados, impactando a igreja local e todos os congressistas; a repercussão das bênçãos desses Conclaves ultrapassou as fronteiras da nossa Região Administrativa. Sim, nesses dias em Patos vimos confissão de pecados, renovação de votos para uma vida nova em Cristo; muitos irmãos foram batizados com o Espírito Santo e dezenas de almas foram salvas.

As incontáveis bênçãos, desses dois Congressos provocaram irritação na nossa liderança maior, que logo convocou um Concílio Geral Extraordinário da UIECB, para os dias 20 a 21 de julho de 1967, na Igreja Evangélica Congregacional de Feira de Santana (BA) - para as Igrejas que não defendiam a Obra de Renovação Espiritual e para os dias 21 a 22 do mesmo mês, na mesma igreja e cidade, para as igrejas Renovadas. Pasmem com esta falta de ética cristã!

2. Viagem à Feira de Santana

Convocados para o Concílio, os líderes das Igrejas do Nordeste Setentrional, se movimentaram para atender o chamamento e enviarem delegados. À época, não era uma viagem fácil. De João Pessoa à Feira de Santana, mais de mil quilômetros (estrada de barro e em péssima conservação), sem linha regular de ônibus, tudo era muito difícil. Mas alguns irmãos locaram um jeep toyota do Missionário Gerson Barbosa de Menezes, e na terça-feira, dia 18/7/67, ao cair da tarde, saía da Paraíba (Reverendo Jônatas Ferreira Catão e Osmar de Lima Carneiro, representando a Igreja Congregacional de João Pessoa; Reverendo José Quaresma de Mendonça e o Presbítero Eloy Enéas de Souza, representando a Igreja Congregacional de Patos; Reverendo Antônio Francisco Neto, representando a Igreja Congregacional de Catolé do Rocha; Presbítero Calistrato Hypólito Soares, representando a Igreja Congregacional de Natal; Presbítero Euclides Cavalcanti Ribeiro, representando a Igreja Congregacional de Campina Grande e o Presbítero José Severino de Araújo, representando a Segunda Igreja Congregacional de Campina Grande) com destino ao Concílio Geral Extraordinário da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, que se realizaria em terras baianas.

Foi uma viagem penosa, desconfortável, muita gente para pouco espaço no transporte; calor, poeira, desinformação. Mas na quinta-feira, dia 21, no início da manhã, aportamos em Feira de Santana. Não demoramos localizar a Igreja hospedeira (que não nos hospedou, nem ofereceu qualquer gentileza, fugindo às regras do amor cristão - sequer tivemos acesso às inscrições e as costumeiras boas-vindas!), que para a nossa surpresa, já estava servindo de palco para uma reunião administrativa do Concílio.

3. Não nos pareceu uma reunião evangélica

Repetimos, não fomos bem recebidos. Fomos cumprimentados, naquele primeiro momento, apenas pelos Pastores Isaías Correia dos Santos, que representava a Igreja Congregacional do Totó e Moisés Francisco de Melo, que representava a Igreja Congregacional do Pina, do Recife (PE), ambos de Igrejas envolvidas com o movimento de Renovação Espiritual e que já estavam isolados nas dependências e comissões do Concílio.

Da forma como chegamos, sem um banho, sem um cumprimento, sem trocar de roupa, sem uma saudação da Mesa Moderadora sinalizando a nossa presença no recinto, tomamos assento na bancada, dispersos e os trabalhos convencionais sendo seqüenciados.

Não demorou uma dezena de minutos, o Moderador do Concilio (que em todo o desenrolar da reunião não demonstrou qualquer habilidade moderada, sóbria, pia e justa) convocou a Comissão de Exame de Documentos e de Pareceres, para relatar o primeiro e principal documento do Evento. O documento era um verdadeiro libelo acusatório às Igrejas que estavam trabalhando de forma avivada e dependente de Deus: tacharam-nos de pentecostais de última hora, de xangozeiros, de embusteiros, de promotores de baixo espiritismo, de hereges, de anátemas, provocadores da desordem no culto, de profetas falsos, entre outros adjetivos. O documento só não nos denominava de crentes e, ao final, recomendava a exclusão dessas igrejas (Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa, Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, Igreja Evangélica Congregacional de Patos, II Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, Igreja Evangélica Congregacional de Natal, Igreja Evangélica Congregacional de Totó, Igreja Evangélica Congregacional do Pina) do rol de Igrejas da UIECB e que os seus pastores (desordeiros e falsos profetas - Jônatas Ferreira Catão, José Quaresma de Mendonça, Isaías Correia dos Santos, Moisés Francisco de Melo, Raul de Souza Costa, João Barbosa de Lucena e Roberto Augusto de Souza) fossem eliminados do seu quadro de Ministros.

O convencional que lia o documento, o fazia com ênfase, demonstrando raiva, com semblante pesado e logo ao final do documento, leu o Parecer da Comissão, que não foi circunstanciado, todavia, foi imparcial e impiedoso: excluamos a Igrejas, eliminemos os pastores, extirpemos esse mal que nos incomoda e nos ameaça.

O Moderador, o Reverendo Inácio Cavalcanti Ribeiro (que era Presidente da Junta Geral e Pastor da III Igreja Congregacional de Campina Grande), após a leitura do PARECER DA COMISSÃO, sentia-se realizado e colocava o DOCUMENTO E O SEU PARECER à submissão da douta Assembléia.

Após esse anúncio, o Pastor Jônatas Ferreira Catão, por uma questão de ordem, pediu a palavra, mas o Moderador, tocando de forma abusiva, deselegante e imoderada a campainha que estava à sua frente (agiu assim por uns quatro minutos) negou-lhe a vez da voz. Em seguida, o Pastor Isaías Correia dos Santos, por uma questão de ordem, pediu a palavra, mas foi tratado com a mesma deselegância. O Pastor Moisés Francisco de Melo, seguindo o exemplo dos seus pares, também pediu a palavra, mas foi contido pelo Moderador, que mais parecia um Leão de Chácara do que um Ministro Evangélico, nas suas abordagens. Encerrando esse círculo de solicitações, ficou de pé o jovem Osmar de Lima Carneiro, pedindo a palavra, oportunidade que lhe foi negada pelo presidente dos trabalhos, usando da mesma arrogância e métodos impróprios aos ambientes cristãos.

Sem qualquer manifestação de solidariedade dos demais convencionais, deixamos de insistir em falar; foi quando se ensejou o Presidente para induzir os delegados presentes a aclamar aprovada a propositura em pauta, sem qualquer apoio, discussão ou comentário.
Logo após as palmas aclamatórias - foram muitas e demoradas - o Moderador suspendeu os trabalhos por trinta minutos e só aí, tivemos ocasião de expor a grupos ou a pessoas isoladas, as nossas razões, os nossos propósitos e sentimentos.

A Assembléia foi reiniciada, muito tempo depois, sem a presença da nossa comitiva, e como segunda propositura foi aprovada a extinção da Federação de Mocidade do Nordeste Setentrional, como forma de subtrair a condição de vogal do seu Presidente, Osmar de Lima Carneiro, nas reuniões administrativas e conciliares da denominação.

4. Voltando com idéias novas

Não tivemos o direito e o privilégio da inscrição. Sequer tomamos um cafezinho. Não tiramos a nossa bagagem do carro. Voltamos à Paraíba logo após essa reunião tão tumultuada, triste e dirigida com tanto desequilíbrio emocional e espiritual.

A volta foi mais confortável, o Pastor Antônio Francisco Neto ficou em Feira, pois no dia seguinte seguiria viagem ao Rio de Janeiro, para visitar a sua filha Queila. Almoçamos num Restaurante típico, à saída da cidade, onde o irmão Eloy passou por maus momentos, pensando que tinha almoçado carne de cobra, numa brincadeira do Pastor Quaresma, com a aquiescência do garçom que nos serviu.

Ainda nesse Restaurante confabulamos sobre a possibilidade de reunir os excluídos num grupo organizado, com características denominacionais, com estatuto, regimento interno, diretorias. Era uma sugestão do Pastor Catão, no pressuposto de que não deveríamos nos abater com o resultado do Concílio.

Após o almoço, já saímos com o nome da Aliança, com as propostas de trabalho, com divisões de tarefas para arregimentar Igrejas e Pastores e com uma data prevista para a primeira reunião formal: 10 de agosto, na Igreja Congregacional de Campina Grande.

4.1 Visita ao Pastor Servilho, em Aracajú

Aproveitando a viagem de volta, a caravana dos excluídos fez uma visita ao Pastor Servilho Benício Sales, da Igreja do Dezoito do Forte, em Aracajú. O Pastor Servilho estava seguindo com a sua igreja a mesma linha de Renovação Espiritual, sim que de forma incipiente; entretanto, após ouvir o relatório sobre as decisões do Concílio Geral Extraordinário, encampou a idéia da criação da Aliança, demonstrou interesse em fazer parte da sua membresia e logo agendou com a sua Igreja uma reunião extraordinária para oficializar o seu desmembramento da U.I.E.C.B.

Após esse contato, o entusiasmo dominou ainda mais o grupo, que se propunha visitar outras igrejas e pastores objetivando levar um grande número de líderes à Campina Grande.

4.2 Pastor Catão, o maior entusiasta

Continuamos com a viagem, mesmo cansados, mas o Pastor Catão não parava de falar: sugeria nomes, pedia sugestões, dividia tarefas, coordenava momentos de oração, arrolava nomes de Pastores e de Igrejas para futuras visitas e nesse ambiente chegamos a João Pessoa. As igrejas excluídas, receberam as decisões do Concilio com moderação, entretanto, já autorizavam o Pastor Catão a continuar os seus contatos com vistas à formação da Aliança. E o trabalho desse servo de Deus foi valoroso, eficiente e oportuno.

E no dia aprazado, 13 de agosto de 1967, num domingo ensolarado, a igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, recebia a delegação das seguintes igrejas, que convocadas, estavam dispostas a seqüenciar o trabalho de Deus de forma harmônica, organizada e no Poder do Espírito: Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa, Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, II Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, Igreja Evangélica Congregacional de Patos, Igreja Evangélica Congregacional de Alagoa Grande, Igreja Evangélica Congregacional de Alagoa Nova, Igreja Evangélica Congregacional de Natal,  Igreja Evangélica Congregacional de Guarabira, Igreja Evangélica Congregacional de Pirauá, Igreja Evangélica Congregacional de Ingá, Igreja Evangélica Congregacional de Juá, Igreja Evangélica Congregacional de 18 do Forte (Aracajú) - representada pelo Presbítero Euclides Cavalcanti Ribeiro (exibia um telegrama do Pastor Servilho Benício de Sales, autorizando a representá-lo) e Igreja Evangélica Congregacional - Congregação de Caruaru.

4.3 A Assembléia histórica - Aliança, sim!

A Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande estava vivendo dias históricos, de muita alegria e comunhão no Senhor. No domingo, dia 13, realizou uma festa apoteótica, hiper lotada, recebendo já os delegados à Convenção e tendo como pregador o jovem judeu FAHED DE ABBUL AKKEL, interpretado maestralmente pelo Pastor Natanael Betemüller da Igreja Evangélica Assembléia de Campina Grande. A reunião foi coroada de bênçãos e, como parte vertical dos trabalhos, o Pastor Raul de Souza Costa fez a apresentação dos convencionais já presentes para o Concílio da denominação que surgiria no dia seguinte, tendo, na mesma ocasião, proclamado “Instalado oficialmente o primeiro Concilio Geral Extraordinário para a criação da Aliança de Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil”.

No dia seguinte, 14 de agosto de 1967, às 9h, o Reverendo Raul de Souza Costa, como anfitrião, apresenta em nome da Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, as saudações costumeiras aos convencionais e declara aberta a primeira reunião Administrativa, que logo escolhe como seu Moderador: o Reverendo José Quaresma de Mendonça (Ex-Presidente da Junta Administrativa do Nordeste Setentrional) e Euclides Cavalcanti Ribeiro e Euclides Gomes da Costa como secretários.

Há seqüência dos trabalhos, com a apresentação das delegações, registrando-se a presença dos seguintes irmãos responsáveis pela fundação da Aliança de Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil - A.I.E.C.B.: Pastor Raul de Souza Costa, Presbítero Euclides Cavalcanti Ribeiro e Presbítero Euclides Gomes da Costa - Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande; Pastor Jônatas Ferreira Catão, Missionária Olívia Lopes Catão, Presbítero Manoel Trajano de Farias, Diácono Otacílio de Brito, Osmar de Lima Carneiro e Glicéria de Melo Borba - Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa; Pastor José Quaresma de Mendonça e Presbítero Eloy Enéas de Souza - Igreja Congregacional de Patos; Pastor João Barbosa de Lucena, Presbíteros José Severino de Araújo e Manoel Quaresma de Mendonça - II Igreja Congregacional de Campina Grande; Presbítero Caitano Antônio da Silva, Diácono José Galindo Torres, Maria Peixoto da Silva e Maria do Carmo Peixoto Galindo - Congregação de Caruaru; Presbítero Calistrato Hypólito Soares - Igreja Evangélica Congregacional de Natal; Presbítero Israel de Oliveira Nóbrega - Igreja Evangélica Congregacional de Alagoa Nova; Evangelista José Barbosa Veríssimo Sobrinho - Igreja Congregacional do Ingá; Pastor Moisés Francisco de Melo - Igreja Evangélica Congregacional do Pina; Presbítero Dr. Guimarim Toledo Sales e Pedro de Macedo Alves - Igreja Congregacional de Alagoa Grande; Pastor Severino Tavares da Silva - Igreja Evangélica Congregacional de Guarabira; Pastor Geraldo Batista dos Santos - Igreja Evangélica Congregacional de Pirauá; Ivoneide Nunes de Lima, Manoel Pinheiro de Oliveira, Francisca de Oliveira e Euclides Alves de Souza.

Depois de declarada a criação da Aliança de Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, é criada uma comissão para elaboração do Estatuto, do Regimento Interno e do Organograma da novel denominação. A Assembléia é suspensa por algum tempo e reiniciada no princípio da tarde, quando é eleita por aclamação a primeira diretoria da A.I.E.C.B.:
Presidente: Reverendo Raul de Souza Costa
1º Vice-Presidente: Reverendo Jônatas Ferreira Catão
2º Vice-Presidente: Reverendo Geraldo Batista dos Santos (afastou-se voluntariamente da UIECB)
1º Secretário: Presbítero Euclides Cavalcanti Ribeiro
2º Secretário: Presbítero Euclides Gomes da Costa
1º Tesoureiro: Osmar de Lima Carneiro
2º Tesoureiro: Presbítero Caitano Antônio da Silva

Como medidas complementares, foram nomeados os irmãos Osmar de Lima Carneiro e Augusta Lins, para coordenarem a criação e instalação do Departamento de Mocidade e Departamento Feminino; a designação de Osmar de Lima Carneiro para visitar a Igreja Congregacional do Ingá, em nome da Aliança, e ali apresentar as decisões tomadas em Concílio e sobre os novos e nobres propósitos da organização nascente; a instalação da Igreja Congregacional do Vale da Bênção, em Caruaru, nessa mesma semana, no sábado dia 19 de agosto, em homenagem ao dia da Denominação, bem como da Primeira Escola Dominical no Brasil.

Com muita euforia e renovadas esperanças, os presentes de mãos dadas, encerram a reunião, votando muito trabalho, dedicação à causa congregacional, e devotamento ao Senhor da Obra.

5. Vale da Bênção - o primeiro fruto

No dia 19 de agosto de 1967, numa festa sem precedentes na Capital do Agreste, o Reverendo Raul de Souza Costa, usando das atribuições de presidente da Aliança de Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, instala a Igreja Evangélica Congregacional do “Vale da Bênção”, empossando o Reverendo Jônatas Ferreira Catão, como pastor visitante. O Culto festivo de instalação da Igreja, contou com uma grande caravana de João Pessoa, coordenada por Osmar de Lima Carneiro e outra de Campina Grande, liderada por Divaldo Fernandes da Silva.

A igreja já começa com União de Mocidade, Auxiliadora Feminina, Conjunto Coral, Departamento de Escola Dominical, cujas diretorias foram empossadas pelo pastor da Igreja.

6. Conclusão:

O nosso sonho era de um crescimento maior da nossa querida Aliança, entretanto, louvamos a Deus pela sua postura doutrinária. O fundamento inicial continua incólume, quando muitos segmentos evangélicos se distanciam da verdade bíblica. Auguramos, que os nossos líderes, despertos, estimulem as igrejas a um trabalho contínuo e eficiente, buscando um crescimento em todas as direções, com salvação de almas, santificação de vidas e implantação de novas igrejas!



Igreja Evangélica Congregacional no Bessa

A Igreja Evangélica Congregacional no Bessa é a caçula da nossa Denominação aqui na capital paraibana. Foi organizada no dia 14 de agosto de 2004, tendo na presidência da Sessão Solene o Reverendo Jônatas Ferreira Catão. A nova Igreja se inicia com 74 membros, tendo Escola Dominical (100 alunos - Berçário, Departamento Infantil, Intermediários e Jovens e Adultos), Coral, Departamento de Senhoras e Mocidade.

A igreja tem sede própria à rua Cândida Ferreira da Nóbrega, no Bessa, composta de Uma Capela para o Culto (comporta 220 pessoas), Gabinete Pastoral, Casa de Zelador e um Edifício de Educação Religiosa (com dois pavimentos, contendo salas para classes de EBD, berçário, cozinha e salão para festas).

IGREJA CONGREGACIONAL NO BESSA

Rua Cândida Nóbrega Ferreira, S.N. - Bessa - João Pessoa/PB
Fone: (83) 3021-2172